"MARIANA nos convida para uma interessante jornada, emprestando-nos “seu olhar” para mostrar,
através da narrativa de seus pensamentos, sentimentos e emoções, tudo que existe além das “DIS-HABILIDADES”.
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A questão da idade na Educação Infantil

Vamos tentar analisar uma questão muito importante no diagnóstico de uma alteração no desenvolvimento de uma criança: a idade.

Na Educação Infantil nos deparamos constantemente com questionamentos tanto por parte dos educadores, quanto dos pais dos alunos, no tocante à organização e classificação de grupos por conta da faixa etária, tão discutida e tão complexa.

Não é à toa que os órgãos normatizadores da educação estão sempre modificando a data de ingresso no ensino básico, a exemplo da Deliberação CEE 73/2008, que autoriza a matrícula da criança no 1º ano do ensino Fundamental ao completar 6 anos até 30 de junho e depois na Resolução CNE/CEB nº 01/2010 que muda tal data para 31 de março. Como se percebe com estes dois exemplos, em menos de 2 anos a data mudou e os educadores ficaram com as questões práticas desta legislação, o que causa grande impacto na organização dos agrupamentos na Educação Infantil.

De um lado, os pais, que se espelham na sua história de vida, na trajetória dos filhos mais velhos, que não passaram por esta nova forma de classificação e precisam de um novo olhar para aceitá-la. Para eles fica a impressão de que seu filho está sendo prejudicado, quando aniversaria no segundo semestre e “perde” um ano de estudos, entrando na faculdade mais tarde do que imaginaram.
De outro, os educadores e governantes, que discutem incessantemente os porquês do fracasso escolar, das reprovações, às vezes ocasionadas exclusivamente por imaturidade da criança que ingressou no ensino básico e aniversaria bem no final do ano.

Esta questão é muito discutida na Educação Infantil, que não sendo obrigatória, mas aqui no Sudeste do Brasil, muito comum que as crianças a frequentem.
Toda esta discussão já é um bom material para que os educadores e seus parceiros tenham bastante o que pensar e argumentar, mas o escopo aqui é o propósito de falar sobre as disabilidades e seus entornos, então vamos lá, no que isso implica a questão da idade?

Os profissionais que trabalham com as crianças, desde sua tenra idade, têm critérios de avaliação suficientes para entender em que estágio do desenvolvimento elas se encontram, respeitando as diferenças de ritmo de aprendizagem é claro, mas conseguem “ver de longe” que algo está errado, quando se deparam com uma criança em atraso de desenvolvimento ou qualquer outro transtorno.

Se os órgãos públicos não conseguem definir a melhor idade para ingressar no ensino básico, quem dirá a dificuldade em se convencer os pais de que algo anda errado e que precisa de investigação profissional, no desenvolvimento de seu filho? Constantemente se ouve: “Mas ele é tão pequeno, só vai pra escola para brincar e ter amigos...” ou “Como a professora sabe que meu filho tem problemas, ele nem sabe falar ainda?”

O que quero deixar à mesa para discussão, aqui, é que muito se faz para auxiliar uma criança que sofre com suas disabilidades em aprender, professores atentos alertam pais, profissionais competentes buscam esclarecimentos e terapias que a façam transpor tais dificuldades, pais amáveis lutam para que seus filhos sejam felizes e sofrem muito quando percebem que algo não está bem na aprendizagem deles. A questão da idade é só mais um ingrediente neste cenário, tão complexo e tão importante. Não pode ser deixado de lado. Vamos refletir?

Renata Siqueira Silva

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Informação e primeiras orientações à família

O processo de descoberta de que algo está errado no desenvolvimento de uma criança é sempre demorado e árduo nas suas tarefas e estudos. A observação dos que a cercam é imprescindível, a aceitação dos pais ainda mais. Este é um ponto delicadíssimo na questão do lidar com as dis-habilidades humanas.

Como enxergar o lugar da mãe desta criança que não está acompanhando seu grupo, que está se destacando não por suas habilidades e sim pelo que não consegue fazer, pelo que está faltando, pelo que está destoando?

Passamos anos e anos estudando as teorias e descobertas científicas sobre o desenvolvimento humano, o funcionamento cerebral, o envolvimento motor, nos encantando com a ciência contemporânea que nos propõe mais clareza em tais questões, nos empolgando com os progressos conquistados por estas crianças nos consultórios e nas classes escolares. Nos esquecemos de como é difícil uma família, uma mãe, enxergar tais problemas, aceitá-los e decidir-se por tratá-los.

Dizemos: “Esta mãe não quer ver, está tão claro que este menino precisa de ajuda profissional”; “Se esta família soubesse como esta menina seria ajudada, assim que assumissem o que está acontecendo...” e dizemos tantas outras verdades, mas que nem sempre são compreensíveis por estas famílias. São verdades muito difíceis de aceitar.

É um alivio para algumas famílias ler o resultado positivo de um exame neurológico ou de análise clinica que seja: “Ah! Eu sabia que ele não tem nada!” - diria esta mãe. Frustrante é saber que na maioria dos casos, problemas de desenvolvimento não aparecem em exames clínicos. Um exemplo clássico: crianças disléxicas não apresentam alterações em hemogramas, eletroencefalogramas, tomografias e ressonâncias magnéticas. Pais ficam felizes momentaneamente, mas em breve descobrem que lhes falta as principais explicações dos por quês da falta de leitura e da confusão de compreensão de textos que seus filhos apresentam e, principalmente, pela persistência destas dificuldades por muitos anos na vida escolar desta criança.

O que fazer então?

A escola deve assumir a questão como ponto de honra e honestidade, buscando tão somente elucidar a situação para os pais e para os próprios educadores, a todo custo. Só com esclarecimento é que se pode encontrar algum caminho de progresso para estas crianças. Parece óbvio, mas não é!

Muitas vezes os educadores se deparam com outros entraves da Instituição, principalmente na privada, que preocupada em atender bem seu “cliente”, deixa de se expor, na desculpa de que não há certeza de tal transtorno ou diagnóstico: “Para que alarmar os pais?”; “Esta criança é muito nova, ainda não dá para avaliar...”

Há que se assumir a competência que lhe pertence, como já foi exposto no texto “A Competência Observatória do Educador”, trazendo todo o conhecimento de causa, avaliações diretas e indiretas, para abrir os olhos dos pais, orientá-los sobre os passos a seguir, a quem procurar (Psicólogo? Fono? Neuro?) e com isso de fato auxiliar esta criança e esta família.

Quando digo: “a todo custo”, levo em conta o trabalho que isto dispende, principalmente quando a criança é muito nova e já demonstra alguma dificuldade ou atraso no desenvolvimento, pois é natural que os pais não aceitem, duvidem da capacidade da escola em avaliar, compare com outros amigos, informem-se por meios pouco confiáveis como sites e grupos de discussões na Internet, julgando erroneamente o aviso da escola de que algo não anda bem. Neste caso, fatalmente a criança será transferida para outra escola, no momento em que a mesma levantar esta questão ou mais tarde, se não a levantar e a criança não atingir os objetivos. Caso aconteça na segunda opção, há uma culpa por não ter cumprido o relevante papel de esclarecer a questão e o educador não poderá fazer nada para o progresso deste educando.

Para finalizar, preciso sinalizar que é imprescindível que se procure os pais e tão logo se perceba o problema, a todo custo abra-se a situação, mesmo não tendo possibilidade de diagnóstico ainda, pois só sob este cenário é que a criança será respeitada e ajudada.

Renata Siqueira

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Apoio da equipe pedagógica

Todo processo leva certo tempo, toda demanda certo investimento, exige muito de quem se envolve e até de quem não está muito disposto, mas em certo momento se vê obrigado a enfrentar tudo isso. Como haveria de ser diferente no processo educativo?

A equipe pedagógica de uma instituição escolar, quando bem envolvida, eu diria comprometida com o processo de desenvolvimento dos alunos, faz a diferença no acompanhamento e tratamento das mais variadas situações de dis-habilidades.

O educador nem sempre está preparado para enxergar as coisas diferentes que ocorrem na vida intelectual e prática dos seus alunos, muito frequentemente se vê educadores intrigados com uma percepção de que “algo está fora do lugar”, que há um buraco na vida daquela criança, daquele adolescente, mas este algo fica pairando na sua observação diária, meio sem resposta por muito tempo.

Há que se lembrar, levar em consideração, que um ano letivo é muito curto, muito menor que o ano do calendário, que as horas de aula são infinitamente menores que as horas da vida real, que enquanto estamos elucubrando sobre determinados comportamentos e resultados de estudos de nossos alunos, o relógio não pára, parece até que se acelera! Perde-se muito tempo tentando achar respostas, e quanto mais se está sozinho na sala de aula, na tarefa de formar, intrigar, avaliar, educar, mais demorada e ineficaz é a tarefa de auxiliar a criança que necessita de uma ajuda extra, a criança que pode ter a sua parte “dis-habilidosa” em evidência.

Não é novidade que o trabalho em equipe é mais completo, mais cativante, mais competente, e assim sendo, a equipe técnica, seja ela composta por psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, e tantos outros especialistas, têm a tarefa de não só trabalhar nas especialidades, mas também com a integração entre seus saberes, oferecendo ao educador uma bagagem valiosa para o caminhar com tais crianças.

Não é tarefa fácil unir e combinar adequadamente os olhares e condições de trabalho de tantos profissionais. É necessário caminhar entre várias linhas de entendimento, abrir mão de fatores que compõem nossa bagagem profissional, ter uma visão mais ampla, talvez holística da situação, da pessoa e seu meio. Traçar metas, planejar situações, ter flexibilidade para reajeitar tudo quando necessário...

Não quero desiludir os mais novos, tampouco desvalorizar nosso trabalho quando mais experientes, e sim declarar os entraves que muitas vezes dificultam a superação de tantas crianças que precisam de ajuda, que não se enxergam habilidosas, que não são aceitas e compreendidas pela sociedade.

Mariana, com suas histórias, tem nos mostrado as habilidades de uma menina que tinha o sonho de ser escritora. Eu quero despertar em nossos leitores a discussão do que ajuda e do que não ajuda a despertar tais habilidades em uma vida em formação. Vamos falar mais sobre isso?

Renata Siqueira

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terça-feira, 15 de junho de 2010

Competência observatória do educador

Um dos grandes desafios para o educador é enxergar a individualidade na complexidade do grupo com o qual ele trabalha. O grupo é seu principal elemento de trabalho, é nele que as mais variadas facetas sociais se apresentam, é por ele que se trabalha, é em prol dele que se organiza. A formação do educador prioriza o grupo escolar, as metodologias pouco oferecem para que ele possa trabalhar as diversidades e individualidades, a estrutura escolar nem sempre favorece o olhar e a ação diferenciada, e por aí vai uma lista de condições que desfavorecem um olhar específico para as desabilidades, que, muitas vezes, manifestam-se em sala de aula. A verdade é que somos formados para usar algumas formas com nossas crianças, quem é que nos capacita para a diversidade que existe na unidade?

A dificuldade não deve ser combustível para justificar as negligências que ocorrem no tocante à detecção de distúrbios, transtornos e síndromes que comprometem o desenvolvimento do educando. Pelo contrário, deve ser incentivo para desafiar este educador, que tem a percepção de que algo está acontecendo debaixo de seu nariz, a buscar capacitação, parceria, trabalho produtivo e a melhora da criança a qualquer custo.

Nestes 25 anos de trabalho escolar, convenci-me de que o educador tem que aprimorar sua capacidade observatória, mais que qualquer outra habilidade, a fim de detectar quando uma criança está pedindo socorro, quando algo a está impedindo de se desenvolver e, principalmente, de discriminar quando isso é motivado por uma condição ambiental ou fisiológica, se pode ser resolvida com pequenas alterações na rotina, na escola, ou se é necessário ter acompanhamento especializado. Você pode me dizer que isto não é tarefa do educador, movido por comentários do senso comum, que dizem que o educador deve formar. Mas se o educador não enxerga tais problemas, quem enxergará? A família, certamente, está envolvida emocionalmente a tal ponto de não enxergar ou até negar as dificuldades desta criança. É o educador que tem os critérios, não por acaso do grupo, para analisar o que destoa dele.

A Inclusão, tão falada, regulamentada, estudada, implementada nos últimos anos, faz-me pensar até onde os educadores estão preparados e amparados (por quem?) para a demanda que vem ocorrendo na escola. Uma vez, meu diretor me arguiu: “Quando estaremos preparados, se nunca nos desafiarmos a encontrar o caminho, se nunca aceitarmos as crianças “especiais”, de coração?”.

Nunca me esqueci dessa fala!

Renata Siqueira
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Falando sobre a Sopa de Letrinhas...

Comentário sobre o Vídeo: Sopa de Letrinhas...
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Assistindo o vídeo lembrei-me da sopa de letrinhas de minha infância, onde com minha mania de organização, me incomodava demais vê-las espalhadas e soltas pelo caldo quente. Não me conformava com esta "bagunça", pois para mim, as letras deveriam estar sempre alinhadas.

Refletindo mais, encontro a forte emoção do imergir no mundo letrado, coisa que antigamente acontecia de modo cartesiano, cheio de regras, ordens, primeiro isso, depois aquilo.

Hoje, com as propostas de letramento, a imersão é natural, diante de uma nova realidade, de crianças e adolescentes que vivem no mundo das informações, leituras, palavras, desde muito cedo e que trazem competências cada vez mais amplas e profundas da leitura e escrita, das interpretações e análises. É como traduzir um mundo que se conhece tão bem, por vivenciá-lo desde o primeiro livrinho de plástico que a madrinha deu para o bebê tomar banho...

É intrigante!

Renata Siqueira
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domingo, 30 de maio de 2010

Esta pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável...



"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para os filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Renata Siqueira

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Como eu Escrevo...



Escrever me faz bem, prioritariamente.
Quando escrevo coloco para fora pensamentos e sentimentos inteiros e intensos, reorganizando-os, refletindo sobre o objeto da vez, construindo ou arrumando partes da minha vida.
A inspiração vem de muitas maneiras, principalmente quando estou tomando banho ou dirigindo meu carro, muitas vezes preciso mandar um recado para mim mesma a fim de não perder ideias, mando torpedos, recados para minha secretária eletrônica, e-mails para mim. Depende de onde estou e onde vou poder parar para escrever mais tarde.

Às vezes começo a escrever baseada numa frase que escutei ou li de alguém que admiro, algum amigo ou familiar, sento-me aqui, à frente do computador, lembro daquela frase ou ideia, penso na base, no que será o coração do que quero dizer, isso dura uns segundos, aí começo a colocar no “papel” tudo o que vêm a minha mente, deixo fluir, fluir, sem filtro algum.
A ideia vem inteira, dificilmente ela se completa depois, acho que sou bem simplista neste caso.

Quando estou escrevendo, converso comigo mesma, me pergunto se é isso mesmo que quero colocar, e o incrível é que as respostas vêm instantaneamente, como se eu tivesse duas mentes conversando dentro da minha cabeça. Muitas vezes sinto algumas sensações especiais, como por exemplo, quando falo de alguém muito especial para mim e meu coração palpita forte no peito. Ou quando estou desabafando e fico suando frio e ofegante.

Em alguns textos procuro ser subliminar, gosto do mistério das palavras, gosto de me enxergar nelas de maneira sutil e surpreendente. Amo brincar com as palavras e termos.
Ao terminar minha escrita, sempre, sempre releio pelo menos 2 vezes, a 1ª corrigindo a linguagem em nível de coerência e coesão, ortografia e gramática, a 2ª tentando ter um olhar de leitora, onde busco perceber se vou agradar quem ler ou se estou me fazendo entender.

Gosto de escolher a fonte, a cor, o tamanho, incluir fotos ou figuras, tudo harmonizado com a ideia principal. Isso é feito mesmo quando mando recadinhos para amigos, faço cartões de aniversário ou cartas profissionais.

Depois de concluído ou publicado, releio diversas vezes, em variados momentos, me importo com a perpetuação desta escrita, por isso gosto de revisitá-la também depois de algum tempo. E dificilmente tenho vontade de mudá-la. Isso é incrível, é a confirmação de que escrevo com fidelidade ao que penso e sinto.

Quer me agradar? Comente um texto meu, nem que seja pessoalmente, mesmo que seja uma crítica, me faz entender se o que é tão importante para mim, também o é para alguém.
Escrever é registrar marcas da minha alma e perpetuar minha existência.
É maravilhoso!

Renata Siqueira

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